Este livro de Nei Lopes, sambista, escritor, lexicógrafo e estudioso das culturas da diáspora, narra a história da Tia Amina, uma baiana que fugida desembarca no centro da cidade do Rio de Janeiro e começa a sua vida de mãe solteira, que se confunde com a própria história da cidade entre os anos de 1870 a 1930.

O livro começa na tentativa de resolver os mitos e preconceitos envolvendo a morte da famosa Tia Amina escritos em um obituário a seu respeito, personagem que carrega clara inspiração na figura histórica de Tia Ciata – personagem fundamental para a cultura do samba na cidade do Rio de Janeiro – e é a busca por descobrir a história dessa pessoa que anima os acontecimentos do romance.

Nei Lopes constrói como ninguém esse arquétipo que é tão fundamental para a cultura brasileira, e para isso se arma de todo o seu conhecimento sobre a história, cultura e religião do Brasil e do Rio de Janeiro.

O autor dá vida ao jornalista Henrique Costa, Costinha ou “diga mais”, repórter encarregado de descobrir quem foi Tia Amina e qual foi a sua história nas ruas do centro da cidade do Rio, com esse personagem Nei Lopes honra a memória de duas formas literárias fundamentais para a Cidade do Rio de Janeiro e para a literatura moderna.

A crônica da vida cotidiana, onde o caminhar pela cidade e uma fonte inesgotável de paisagens e causos, e o texto jornalístico que tenta investigar com seriedade essa vida para reescrever a sua história, Neil Lopes extrai o melhor desses dois mundos criando um romance grandioso não só pelas variadas referências, mas por sua beleza.

Sob esse duplo aspecto, Nei Lopes percorre as ruas do Rio de Janeiro do centro aos subúrbios, de bonde e de trem; o autor narra a modernização da cidade e as transformações urbanas do Rio de Janeiro que infelizmente apagaram parte da nossa história e da cultura negra na cidade.

Com este livro o leitor vai poder passear por vários momentos importantes da nossa história, em uma junção de personagens da história oficial e a história que realmente importa, das figuras do cotidiano das ruas e dos morros do Rio.

Esse romance constrói uma história brilhante e fundamentalmente crítica porque narra vidas que são violentamente esquecidas pelo cânone literário e modifica seu eixo para a cultura negra do Rio de Janeiro. Com este romance e com “Rio Negro 50” Nei Lopes empurra o olhar para os lugares historicamente esquecidos e invisíveis ao cânone literário, e de alguma maneira reescreve e reafirma um olhar sobre a cidade do Rio de Janeiro.

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